segunda-feira, 9 de agosto de 2010

A IMPORTÂNCIA DA COMUNICAÇÃO SOCIAL

Profª. Dóris Maria Daufenbach Goedert, Dra.

RESUMO

Neste artigo, tem-se como objeto de estudo “a comunicação social e linguagem na educação”. Busca-se descrever o que se entende por comunicação, linguagem, os tipos que a compõem e como se dão a suas utilizações nas aulas e quais as possíveis soluções para as dificuldades encontradas no processo de ensino aprendizagem do ser humano. A interpretação da comunicação é ampla e sua utilização pode trazer resultados benéficos aos alunos quando bem utilizada, assim como pode ser responsável por problemas diversos. Estudar comunicação e linguagem na educação exige investigação e observação para que se possam alcançar os objetivos a que se propõe, fazendo-se necessário um processo de avaliação onde estão inseridos tópicos variados, entre eles: compreender o que é, como se faz, quais os resultados desejados e, ou alcançados e qual melhor maneira de utilizá-las. Para tanto, na elaboração deste artigo usou-se de metodologia científica, optando por uma pesquisa qualitativa, tendo como técnica de coleta de dados a observação e dados bibliográficos. A análise conclusiva foi elaborada mediante junção das observações práticas e teorias utilizadas. Conclui-se que para haver aprendizagem, tanto os elementos verbais como os não-verbais são importantes. Porém, a forma de usá-los é o que diferencia o resultado de um processo de ensino aprendizagem, enfatizando a necessidade do docente, de conhecer a melhor maneira de comunicação e linguagem para com seus alunos.
Palavras-chaves: Comunicação. Linguagem. Educação.

1 INTRODUÇÃO

Atualmente, percebe-se que as aulas, os momentos educativos são envolvidos por um sistema de comunicação que nem sempre consegue atingir os propósitos estabelecidos pelo planejamento e, por tanto, pela proposta curricular. Desta forma questiona-se: a comunicação e a linguagem, através do professor e aluno, interfere na transformação humana? Tem-se como hipótese, que o professor deve ser conhecedor dos “meios de comunicação e linguagem” e fazer uso dos mesmos para o aprendizado pretendido, buscando garantir a transformação desejada.
A metodologia científica utilizada à pesquisa é qualitativa e bibliográfica tendo como técnica de coleta de dados a observação da prática. Para concluir, foram feitas análises dos materiais bibliográficos junto com as observações da experiência deste autor.
A razão da escolha deste tema se deu devido ao recente estudo realizado em módulo do curso de pós-graduação em nível de Doutorado, onde se aprofundou o tema “Comunicação Social e Linguagem”, trazendo a tona um problema grave que envolve a questão da comunicação na educação, havendo momento de explanação onde ficou claro que existe uma situação de emergência no esclarecimento sobre como vem ocorrendo a comunicação em salas de aula e o que se pode fazer para colaborar neste processo.

2 DESENVOLVIMENTO

Comunicação e Linguagem são palavras de fácil pronúncia, mas de interpretação vasta. Em primeiro momento, comunicar é um campo de conhecimento acadêmico que estuda a comunicação humana em sociedade.
Etimologicamente a palavra comunicar deriva do latim comunicare que significa "pôr em comum, entrar em relação com". Mas a comunicação pode exprimir uma infinidade de formas. Na verdade, o homem engendrou um complexo sistema de símbolos que encerram e exteriorizam marcas da sua essência e na sua construção cultural. Aí se articulam e fundem sinais verbais (orais e escritos), sinais não verbais (mímica e expressão corporal) e indicadores culturais como a indumentária, adornos, penteados, etc.
Linguagem é o uso da palavra, seja ela escrita ou por articulação, com a finalidade de comunicação. Faz-se necessário que haja sintonia entre o emissor e receptor para exprimir exatamente o que pensamos e assim, organizar com lógica as idéias processadas.

2.1 Comunicação

Ao decompor a ação de comunicar é relevante salientar que comunicação pressupõe diálogo, interação, ação de tornar comum e, por isso, não pode ser confundida como um processo unilateral de transmissão de informações.
Segundo DeFleus (s/d, p. 2) “a comunicação é o estudo das mudanças um com os outros mediante o intercambio de mensagens, usando diversos processos de comunicação em uma variedade de contextos e cenários, e as conseqüências destas transações”. É um processo, no qual tenta-se transmitir uma idéia que, se bem comunicada, não é muito difícil de entender.
Para haver a comunicação, faz-se necessário uma fonte ou emissor que inicia uma mensagem, utilizando símbolos verbais e não verbais. São sinais contextualizados para expressar significado mediante a transmissão de informação de tal maneira que os entendimentos similares ou paralelos são constituídos pelo potencial receptor.
O conhecimento sobre a comunicação humana que é estudada por diversas ciências sociais está na habilidade de comunicar-se eficientemente, de decidir, comunicar-se clara e corretamente, de maneira que os demais não tenham dificuldade para entender o que se está dizendo e escrevendo.
Comunicar-se “bem”, traz uma gama de respostas na vida do ser humano, podendo evitar problemas familiares, de trabalho, com amigos... Porém, isto não afirma que existe uma “RECEITA” ideal de comunicação. Deve entendê-la como “importante” no cotidiano do ser humano, e não como uma mera palavra que envolve tipos que não são interpretados e compreendidos.
A ação de comunicar pressupõe duas ou mais pessoas produzindo entre si um entendimento recíproco a partir de trocas simbólicas e pode ser definida, portanto, como um comportamento intencionalmente produzido que visa compartilhar uma determinada finalidade (explícita ou não). Esse comportamento intencional é expresso na forma de mensagens (verbais e não verbais) que são transmitidas entre um emissor e um receptor, levando este último a modificar o seu padrão de comportamento em resposta.

2.2 Linguagem

A linguagem se dá pelo discurso que é mensurável em sua estatura espiritual de sua alma. Podem-se usar palavras de efeito, mas comunica-se somente o que se é. Ao expressar unicamente o conteúdo dos livros, demonstramos ser cópias dos autores. Porém, ao refletir criteriosamente sobre os escritos, constrói-se um sólido conhecimento e a partir daí, o nosso discurso adquire característica própria, que nos distingue dos demais.
A fala e a escrita podem ser criativas. Ao falar ou escrever, se há conteúdo do discursante ou escritor, subitamente se desenvolvem novos pensamentos, novos conhecimento enquanto fala ou escreve. Para que a criatividade torne-se um fato concreto, faz-se necessária à segurança pessoal, comunicação e atividade. Eis o fundamento básico para a criação de novos conteúdos da consciência.
O discurso, falado ou escrito, é mola propulsora de nosso desenvolvimento moral e intelectual.

2.3 Comunicação e linguagem na educação

Educação pode ser traduzida por responsabilidade; atualização; transformação; busca do conhecimento, entendimento da sociedade e qualidade de vida; compromisso com o desenvolvimento humano; reconstrução; processo de sentir; caminho para desenvolvimento; construção; vida...
Porém, a educação não haveria representantes em palavras e significados, não fosse a comunicação. É através desta ciência que se faz o educar.
Na educação, a comunicação é imprescindível, seja ela inserida no olhar de qualquer corrente filosófica ou vertente pedagógica. É através da mesma que se dá o processo de aquisição do conhecimento. Elas podem ser do tipo verbal ou não verbal.
A comunicação não verbal processa-se através dos gestos, das posturas, das expressões faciais, das utilizações da voz e do silêncio, do vestuário, dos objetos de que nos fazemos cercar, da relação que estabelecemos, quer com esses objetos, quer entre nós. Exprimem e comunicam idéias, sentimentos e emoções, acompanham, reforçam e chegam a substituir a linguagem verbal, delineando significações e conferindo uma vivência mais profunda e autentica à comunicação.
Pode-se cessar a comunicação verbal, simplesmente, não a utilizando. Ao contrário da comunicação não verbal que se faz por intermédio de signos discretos, a comunicação não verbal é contínua e ininterrupta. O que significa que não podemos nunca impedir a comunicação não verbal, mesmo que não seja deliberada e intencional.
Por se tratar de um processo que pode ser visto numa perspectiva individual, social e coletiva, o momento aula exige do professor mais atenção quando ao adentrar em sala, é focado em sua expressão facial, seu gesto, seu tom de voz, palavra utilizada, a forma como escreve.... Enfim, quando se expressa verbal ou não verbalmente é percebido, avaliado e, o mais importante: é visto, geralmente, como um exemplo.
O estudo do processo de comunicação nas escolas não é um alvo relevante, fato preocupante, considerando a sua importância em todo o processo educacional. A comunicação pode ser compreendida como um comportamento instrumental (ação de comunicar), emergente simbólica e concretamente na interação social. A complexidade no estudo dos processos de comunicação constitui um desafio ao diálogo e a pesquisa. O processo de comunicação pode ser definido de uma forma mais simplificada como uma atividade humana caracterizada pela transmissão e recepção de informações entre pessoas ou, ainda, como o modo pelo qual se constroem e se decodificam significados a partir das trocas de informações geradas.
Ter a habilidade da comunicação permite resultados que colabora no processo de ensino aprendizagem, buscando tipos símbolos ideais para determinada mensagem e receptor. No meio educacional é imprescindível este olhar, visto que há alunos com dificuldades de aprendizagem. A comunicação é uma ciência social dedicada a entender como nos comunicamos e de que forma podemos fazer, melhor, determinada ação. Buscam impulsionar o conhecimento da maneira como os seres humanos se comunicam os homens (bem ou mal, oralmente como os meios de comunicação em massa e as conseqüências desta comunicação).
Atualmente, quando o professor chega em sala, já planejado em sua seqüência e preparados para mediar as intervenções da realidade de cada aluno, pode-se deparar com situações diversas, entre elas, situações que envolvam emoções, idéias, pensamentos, comportamentos, atitudes, posturas, expressões, movimentos e gestos não esperada dos alunos. Assim, questiona-se: Onde errou? Em uma análise, encontra-se em primeiro plano de avaliação, a forma de comunicação com “aquele grupo”, pois afinal, “no outro” deu certo, a aula “fluiu” maravilhosamente. Então, pergunta-se, como proceder no processo de comunicação na educação mediante cada grupo de alunos que perpassa no dia-a-dia profissional?
Diria, em primeira instância, que o docente deve entender o que é comunicação e linguagem na educação para então poder definir os procedimentos a tomar, onde mudar quando uma determinada atitude não respondeu as suas expectativas e nem a dos alunos.
A falta de planejamento escolar é o maior problema nas práticas educativas (que por si só, já demonstra a falta de comunicação, pois desconhecem, não são comunicados, não buscam o melhor caminho para atender as necessidades educativas), a falta de uma metodologia apropriada, buscando uma comunicação ideal. Conseqüentemente, as aulas não adaptadas à realidade de sala de aula e principalmente a realidade de cada aluno como um ser único e, portanto, carece de um procedimento específico por parte do professor (mais um problema de comunicação, quando o professor ignora a real situação e necessidade de cada aluno).
Ajudar os alunos a descobrir-se, deve ou deveria ser a intenção maior no momento “escola”. Porém, depara-se com realidades gritantes, com relatos de professores que não sabem o que fazer e o que fazem pensam ser o certo. Errado? Não, realmente muitos deles desconhecem outros caminhos e tem “boa vontade” de descobrir. Percebe-se um descaso no poder público onde não é permitida ao docente uma formação continuada. Certos? Também não, pois mesmo sem o incentivo do poder, haveriam de buscar soluções quando percebem que algo não está correto em suas aulas.
Ao contrário disto, fazem reclamar (não é uma regra), tornando-se estáticos e se permitem SEREM vítimas de um sistema e FORMAM muitas outras vítimas que terão dificuldades em seu futuro.
Tem-se consciência que os exemplos citados não podem ser generalizados, pois há uma gama de situações a serem avaliadas e cada uma merece um olhar diferenciado. Isto é o que demonstra a realidade escolar, pois ao se trabalhar com seres ÚNICOS, havemos de ter uma série de combinações entre conhecimento, emoções, idéias... Enfim, tudo que envolve um processo de comunicação.
Assim sendo, a comunicação está inserida em todo o processo educacional, seja ela pelos tipos ou pela forma que nos atinge. Algumas tão bem elaboradas, envolvendo estímulos cerebrais que não se percebe, onde a utilização de sons e cores específicos produzem respostas diferenciadas do cérebro.
O educador intervém em vidas e por isto necessita de muito equilíbrio consciente, o que só alcançará interpelando a sabedoria filosófica e, ouvindo-a, chegar à consciência de sua ciência. Assim, procurará intervir sem invadir, propor sem impor, tentar esclarecimentos sem dar soluções dogmáticas. O importante é que o educador tenha mente aberta e esteja perceptivo ao crescimento de todas as pessoas envolvidas no processo de aprendizagem (Gregório, 2007).
Educar, comunicar, tudo envolve atores que devem alternar as posições de emissores ou receptores. A linguagem, entendida como significação simbólica, é parte fundamental para que o processo de interação aconteça entre seres humanos. É a partir do significado dos códigos (sinais) de linguagem que as pessoas atribuem sentido às atividades e se reconhecem como pertencentes ao sistema organizacional.

CONCLUSÕES

Chegou-se a conclusão que todas as formas de comunicação e linguagem deixam uma incógnita em sua finalização, mas é claro e evidente que há interferência na transformação humana.
Desta forma, confirma-se a hipótese de que o professor deve ser conhecedor dos meios de comunicação e linguagem para poder alcançar as transformações desejadas.
Como se pode observar, sempre que existe a comunicação, existe uma mensagem que pode ser transmitida em sua totalidade intencional ou pode não alcançar sua intencionalidade. Todo a interação existente para a comunicação é importante, sejam elas verbais ou não verbais.
Como sugestão, fica a evidência da necessidade de “conscientização” da importância da comunicação e linguagem na educação. Que os professores possam ter acesso, através de cursos ou até por momentos de estudo em suas escolas, sobre os resultados do processo de comunicação e como este conhecimento pode fazer a diferença nos resultados de sua vida pessoal e profissional.

REFERÊNCIAS

Alves, M. B.; Arruda, S. M. de. Como elaborar um artigo científico. Disponível em: http://www.bu.ufsc.br/ArtigoCientifico.pdf. Acesso em 29 de Janeiro de 2007.
Villalba, O. A. Programa y Material de Apoyo. Comunicacyón y Lenguaje en Educación. Asunción: UTIC, 2007. in: Watzlawick, P.; Bavelas, J. B.; Jackson, D. D. Teoría de la comunicación humana: interacciones, patologías y paradojas.DeFleus, M. G. Et al. Fundamentos comunicación humana.
Fialho, F. Vaz, F. Comunicação não verbal. (2003). Disponível em: http://www.educ.fc.ul.pt/docentes/opombo/hfe/lugares/naoverbal/introducao.htm. Acesso em 31.01.07.
Gregório, S. B. O Discurso e a Comunicação. (2007). Disponível em: http://www.espirito.org.br/portal/palestras/ceismael/discurso-e-comunicacao.html. Acesso em: 31/0107.

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